Tinha chegado finalmente o 5 de
Dezembro e com o jipe carregado parti rumo ao Litoral Alentejano para uma desejada
semana de spinning aos robalos. O objetivo era chegar a Pinheiro da Cruz por
volta das 14 horas, mas uma avaria no jipe em plena A1, na zona de Pombal,
obrigou-me por precaução a solicitar a assistência em viagem. Inicialmente
stressei um pouco, mas logo a calma imperou e este contratempo foi
ultrapassado com a chegada do reboque e transferência da bagagem para um táxi
que me transportou ao Prior Velho, para levantar um carro de substituição. Eram
19:30 quando finalmente estacionei a viatura no destino…o muito simples mas
paradisíaco “Fox Beach Resort”. Após a degustação de uma “bucha” e com o corpo
a pedir, depois um dia muito atribulado, deitei-me e adormeci com o pensamento
já no dia seguinte.
Eram cerca de 6:30 quando o
barulho do mar me despertou, na cama continuei a ouvir o som das ondas, mas
algo não me agradava. Levantei-me, e ainda no lusco-fusco dei uma olhada ao mar
que tinha cerca de duas horas de enchente, verifiquei que períodos de acalmia
eram interrompidos por 4 ou 5 vagas bem altas, que rebentavam longe e provavelmente
muita areia levantavam, não gostei, mas podia ser com o subir da maré e mar
mais grosso, a rebentação deixasse de levantar areia, permitindo aos robalos
abeirarem-se. Tomei o pequeno-almoço e preparei-me para 2 horitas de pesca, não
mais, porque havia que preparar o almoço combinado com os amigos…“Tripas à moda
do Porto”. A maré enchia e as condições de mar não melhoraram tendo até o
período de vaga aumentado. Mesmo assim, bati uma série de cabeços e fundões na
espetativa de algum robalo deambular junto à praia, mas nem toque senti.
Os amigos foram chegando para a
primeira tertúlia da semana, um almoço tipicamente nortenho...do Porto. O
Ramiro e o Luís lá me foram contando que na semana anterior com menos mar
tinham saído uns robalotes, o que me animou um pouco na esperança que o mar
acalmasse. Com muito sol e uma temperatura fantástica iniciamos o almoço na
mesa do coberto traseiro, ao ar livre. Desde reviver momentos do verão a
pescarias, de tudo se falou um pouco, enquanto eram degustadas as deliciosas
tripas acompanhas por um bom tinto do Douro. É bom, muito bom conviver com
amigos deste calibre. Assim se passou uma excelente tarde de domingo na Raposa,
com a promessa de que no feriado de 3ª feira se repetiria com umas favas à
Alentejana. Há falta de pesca nada melhor do que umas “tainadas”!



Na segunda-feira o mar não deu
sinal de melhoria e as previsões apontavam somente para 5ª feira uma quebra de
mar. Foi sem “feeling” que durante a manhã coloquei na água todas as amostra e
vinis que tinha na bolsa, robalos só avistei alguns na vaga bem ao longe. À
tarde, com o regresso do Luís à Raposa, efetuamos um giro até à Comporta para verificar
as condições de mar a norte, que se mostraram aceitáveis, para na manhã
seguinte lá fazer uma faina. Ao fim da tarde já quase todos os “tertulianos” se
encontravam na Raposa e como o mar não estava para pescas foi mais uma
jantarada pela noite dentro.
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Praia da Comporta |
A terça-feira nasceu cinzenta, o
mar mantinha-se sem condições naquele local, tal como o previsto, desloquei-me
à Comporta. As condições de mar também eram más, com a vaga a quebrar longe e
muita areia, de qualquer forma bem melhores do que na Raposa. Pesquei até cerca
do meio-dia sem sentir qualquer toque, tal e qual como todos os pescadores com
quem me cruzei…uma palete de “grades”! As favas esperavam-me e num instante já
me regalava com as iguarias alentejanas…fantástico! E assim se passou mais uma
bela tarde de convívio, em que sinceramente muito senti a ausência da minha
mulher que também tanto gosta destes momentos.
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copyright@Anabela |
Tinha ainda dois dias e meio para
me safar embora certamente a 4ª feira fosse para esquecer, o mar só na 5ª
quebrava. Assim foi!
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Praia da Raposa |
Quando observei o mar na
quinta-feira ao nascer do dia, o “feeling” voltou! Eram excelentes as
condições, verdadeiramente robaleiras. Durante a manhã desloquei-me a sul até ao
Pinheirinho e por incrível que pareça o peixe não colaborou, embora tenha visto
muitos robalos a deambularem nas vagas, bom sinal! Ao almoço degustei um belo
bife para retemperar as forças para a faina da tarde.
Durante a tarde, o sentido era
norte, até ao Pego e voltar. Já pescava há cerca de meia hora com amostra
favorita do Ramiro, quando ferro o primeiro robalo, que saudades daquelas
cabeçadas! O Labrax kileiro retemperou-me as forças e a mente e uma hora mais
tarde ferro outro do mesmo calibre. Até ao anoitecer não tive mais toques,
regressei a casa no sentido de descansar umas horitas e efetuar a maré da
madrugada.


A preia-mar era por volta das 2
horas da madrugada e o objetivo era pescar entre a meia-noite e as 5 horas. Já
tinha mais de uma hora de faina quando sinto um forte ataque, mas o peixe não
ferrou, parecia ser um bom robalo. Entretanto o tempo foi passando, a maré
virou e já no regresso, na mesma cova onde à tarde tinha ferrado o primeiro
robalo sinto um safanão na cana, drag a cantar e aquelas cabeçadas que tanto
adoramos. Belo peixe na ponta da linha! Com um misto de calma e aquela
ansiedade típica, coloquei com alguma facilidade o robalo a seco. Não sendo um
grande tarolo, já era um belo peixe de 68cm e mais de 3kg. Ainda continuei a enviar
plástico e vinil para a água mas aquele robalo era filho único. Deitei-me às 5
da manhã e dormitei cerca de 3 horas. Ainda fiz uma horita de pesca, tendo
capturado um miki, prontamente devolvido. Estava na hora de arrumar a “tralha”
e preparar o regresso ao Porto.

As previsões meteorológicas e de
mar eram boas para a semana, mas enquanto o tempo se manteve bom, com temperaturas agradáveis
e ausência de vento, já as do mar alteraram e na realidade só consegui ter
condições desejadas no dia anterior ao regresso. De qualquer forma foi uma
semana fantástica com companhia de bons amigos e inesquecíveis momentos…as
verdadeiras Tertúlias da Raposa!
Luís, finalmente degustaste o verdadeiro
sabor do vinho do Porto…é divinal!
Feliz Natal e desejos de um bom ano de 2016 a todos.
Material utilizado:
Canas: Cinnetic Seabass Explorer
3.30, Shimano Biosmaster 300 mh;
Carretos: Cinnetic Cautiva II
4500 ALU, Penn Conflict 4000;
Fios: Suffix 832 0,20 e Cinnetic Mimetic fluorcarbono 0,40 (terminal);
Amostras c/capturas: Shimano silent assassin 160,
Lucky Craft flash minnow 130 Zebra chart. shad, Daiwa tournament sw slender 14f 06;
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Cinnetic |